Na presente Cronologia, que não se pretende exaustiva, foi necessário seleccionar e, porventura, errar pela omissão de muitos factos da História de Tomar. O desconhecimento de algumas datações contribuiu, igualmente, para essas limitações.

Procurou-se, no entanto, traçar uma síntese coerente da evolução histórica desta Cidade cujo destino tem estado, desde sempre, ligado ao do próprio País.

Conscientes das vantagens de um distanciamento temporal, esta breve Cronologia termina no período da 1ª República.
 

1ª metade do séc. I d. C. - Sellium (Tomar), cidade romana fundada pelo imperador Augusto

Séc. VI - VII - Testemunhos de arte visigótica em Tomar

Séc. X - XI - Presença de elementos decorativos moçárabes

1135 - “Bélico infortúnio” sofrido pelas forças cristãs próximo da actual Tomar; é aqui utilizado pela primeira vez, este topónimo: “infortunium super christianos in Thomar”.

1159 - D. Afonso Henriques doa aos Templários o castelo de Ceras, a fim de o povoarem.

1160 (1 MAR) - Fundação do Castelo Templário de Tomar por D. Gualdim Pais.

1162 (NOV) - D. Gualdim dá carta de foral aos futuros povoadores de Tomar.

1190 - O rei de Marrocos Abu Yusuf Yakub, comandando um número considerável de cavaleiros e peões, vê-se obrigado a levantar o cerco a Tomar depois de seis dias de defesa heróica por parte do reduzido número de sitiados. A façanha dos Templários pareceu de tal forma sobre-humana, que a lápide que no Castelo ainda hoje perpetua o feito, refere 400 000 cavaleiros e 500 000 peões por parte dos atacantes, número presentemente considerado impossível, face até à população da época.

1195 - Morte de D. Gualdim Pais, sepultado na Igreja de Santa Maria de Tomar, depois “do Olival”.

Séc. XIII - Reconstrução da Igreja de Santa Maria Olival segundo traça gótica, durante o reinado de D. Afonso III.

1319 (14 MAR) - Por proposta de D. Dinis, o Papa João XXII institui, pela Bula “Ad ea exquibus”, a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, à qual são doados todos os bens dos Templários. A nova Ordem é instalada em Castro Marim, sendo-lhe atribuída a Regra de S. Bento.

1357 - A Ordem regressa a Tomar a pedido dos frades. Junção em Tomar das forças de D. João I e D Nuno  Álvares Pereira a caminho de Aljubarrota.          Nesse local foram  mais tarde erigidos, em memória, um padrão comemorativo e a Capela manuelina de S. Lourenço.

1420 - O Infante D. Henrique recebe o mestrado da Ordem de Cristo com o título de “Governador e Administrador da Ordem”.

1421 - O Infante D. Henrique cria a primeira feira franca de Tomar.

1430 - 1460 - Construção da Sinagoga de Tomar, por Ordem de Infante D. Henrique.

1438 (9 SET) - O Rei D. Duarte vitimado pela peste.

1456 (13 MAR) - O papa Calisto III concede à Cavalaria de Cristo o espiritual  das terras descobertas, como territórios nullius diocesis.

1467 - Início da restauração da Igreja de S. João Baptista.

1510  - D. Manuel I cria a Misericórdia de Tomar.

Diogo de Arruda inicia a construção da chamada “Casa do Capítulo” do Convento de Cristo e executa as respectivas e célebres janelas.

1510 (MAI) - D. Manuel concede a Tomar o seu foral novo.

1515 - João de Castilho finaliza a construção da abóbada da “Sala do Capítulo” do Convento de Cristo, assim como o monumental pórtico de acesso.

1521 - D. João III permanece em Tomar durante cerca de dois meses. Desta estadia resultará a reforma da Ordem de Cristo, de sua inspiração.

1521 (MAR) - Referência nas Ordenações Manuelinas (Tomo V - Título 5) às “Festas dos Tabuleiros do Espírito Santo”, como única modalidade de “bodo dos pobres” não proibida.

1523 - Representação no Convento de Cristo, perante o rei D. João III, da Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, segundo Amorim Rosa inspirada em personagens tomarenses.

1530 (24 JUN) - Início da Reforma da Ordem de Cristo, pela mão forte do frade Jerónimo, António de Lisboa. Os freires então residentes no Convento foram reduzidos à cláusula e observância regular.

1536 - Reforma da Igreja de Santa Iria por João de Castilho.

Início da residência em Tomar do pintor Gregório Lopes, que aqui se mantém até 1541, período em que pinta os painéis do retábulo de S. João Baptista.  

1540 - João de Castilho inicia a construção do Claustro da Micha, o primeiro da série de claustros de sua traça existente no Convento de Cristo.

1543 (6 MAI) - 1º Auto-de-Fé em Tomar: dos 14 penitentes, 3 foram “relaxado ao braço secular” (morto pelo fogo) um dos 8 penitentes, a ré Brites Gonçalves, “por herege e pertinaz”.

1544 (20 Jun) - 2º Auto-de-Fé em Tomar: dos 14 penitentes, 3 foram “relaxados”, todos eles Cristãos-Novos e moradores em Tomar.

1550 - João de Castilho inicia a construção da Capela da Nossa Senhora da Conceição, em Tomar, a qual viria a ser concluída por Diogo de Torralva e se destinava ao túmulo real de D. João III, intenção que se veio a gorar e só recentemente veio a ser reconhecida , na sequência dos estudos de Rafael Moreira.

1550 - 1551 - Diversas visitas de D. João III, “ a verificar as obras onde queria ser sepultado”, segundo manuscrito guardado no Museu Britânico.

1551 (30 DEZ) - O papa Júlio III, pela bula “Praeclara clarissima” concede à Coroa portuguesa, definitivamente, o mestrado das Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Santiago.

1554 - Diogo de Torralva executa o risco e inicia a construção do Claustro Principal, ou de D. João III, do Convento de Cristo, que viria a ser concluído por Filipe Terzi e Pedro Fernandes Torres, já sobre o domínio Filipino.

1567 (22 ABR) - Concedida a Tomar a de “Notável Vila”, pelo Regente do Reino, o Cardeal D. Henrique, baseado no facto de ter sido “Cidade Romana, Corte de muitos Reis, grande população e numerosos palácios”.

1581 (16 ABR) - Juramento e aclamação de Filipe I perante as Cortes reunidas em Tomar.

1581 (20 ABR) -  Abertura solene das Cortes de Tomar.

1593 - É dado início à construção dos Pegões Altos, destinado ao abastecimento do Convento de Cristo, segundo risco de Filipe Terzi e concluído em 1613 por Pedro Fernandes Torres.

1609 (AGO) - A Câmara de Tomar dirige à de Lisboa uma carta desculpando-se de não poder contribuir para as festividades que se preparavam para receber Filipe II, “ (...) porque esta vila está a mais miserável, porquanto estão presos pelo Santo Ofício mais de 50 homens de nação (cristãos-novos), e ausentes muitos mais, os quais eram mui ricos, e em cujo trato estava todo o dinheiro deste povo. Além disso, os demais moradores têm poucas fazendas, e essas todas tributárias ao Convento de quem são as melhores rendas e dos Comendadores, que são muitos, por serem terras da Ordem de Cristo. (...)”.

1625 (7 SET) - Início da construção do Convento de S. Francisco, na Várzea Grande de Tomar.

1626 - Filipe III autoriza a criação da Feira de Santa Iria, a realizar anualmente, em 20 de Outubro. Mais de três séculos e meio passados, é ainda hoje das grandes festividades da Cidade.

1640 (9 DEZ) - Proclamada a Restauração, em Tomar.

1649 - D. João IV visita Tomar.

1669 (20 FEV) - Passa por Tomar, onde pernoita, o príncipe herdeiro da Toscânia, Cosme de Médicis, depois Cosme III, acompanhado de numerosa e luzida comitiva. Pier Maria Baldi, seu acompanhante esboça a famosa aguarela com vista geral de Tomar, documento iconográfico único, quase “fotográfico”.

1699 (20 JAN) - D. Pedro II concede o alvará que institui o mercado semanal de Tomar, a realizar aos domingos, o qual, mais tarde, passou para os sábados e, mais recentemente, para as sextas. Tem mesmo assim, a bonita idade de 291 anos.

1701 - Segundo o Padre António de Carvalho da Costa, na sua Chorographia Portugueza, tinha Tomar, nesta data, 900 habitantes.

1709 (1 - 7 NOV) - Estadia de D. Pedro II em Tomar, aguardando a chegada do Arquiduque Carlos III da Áustria, candidato ao trono Espanhol no quadro da Guerra da Sucessão de Espanha. O ilustre aliado de Portugal acabou por não visitar esta Cidade, devido ao “transbordar das ribeiras”, sendo o encontro efectuado , dias depois, em Leiria.

1714 - Estadia de D. João V em Tomar, acompanhado dos seus irmãos, D. António e D. Manuel. Reparação de diversas construções, ordenada pelo rei: moinhos e lagares da Ribeira da Vila e Ponte D. Manuel, hoje “Ponte Velha”, onde foi colocada uma estátua de S. Cristovão, presentemente armazenada no Claustro da Lavagem do Convento de Cristo.

1759 (24  MAR) -  Alvará  de D. Maria I entregando a administração da Fábrica de Meias de Lã e Algodão de Noel Lemaître, a Jácome Ratton e Timóteo Verdier, a qual serviu de base à Real Fábrica de Fiação e Tecidos, até há alguns meses em laboração como a mais antiga fábrica de fiação do mundo ainda em funcionamento. A sua provável extinção será uma perda de peso para o património histórico industrial português.

1789 - 1792 - Reforma dos Estatutos da Ordem de Cristo, através de diversa legislação de D. Maria I.

1807 (27 NOV) - Entrada em Tomar das tropas da divisão espanhola de Junot, comandada por D. Juan Carrafa, que impõe uma contribuição em dinheiro e requisição de víveres. Curta permanência na Cidade.

1808 (9 JUL) - Fim da revolta dias antes deflagrada em Tomar, entregando os patriotas as armas a Ângela Tamagnini, por se recusarem a entregá-las a Margaron, comandante das forças de ocupação. A actuação daquela brilhante negociadora impediu quaisquer represálias por parte dos Franceses.

1808 (11 AGO) - Chegada a Tomar das forças de Loison, dito “O Maneta”, contudo sem consequências materiais. Retirada dos franceses marca o fim da 1ª Invasão.

1808 (NOV) - Criação do Regimento da Milícias de Tomar.

1808 (JAN) - O General Miranda Henriques, encarregado da defesa da Beira Baixa, estabelece o seu quartel-general em Tomar.

1809 (8 ABR) - Beresford estabelece em Tomar o seu quartel-general, para reorganização do exército português.

1809 (JUN) - Wellesley estabelece quartel-general em Tomar, uma vez expulsas as forças francesas da 2ª Invasão.

1810 (7 OUT) - Prolongada estadia  em Tomar das tropas de Ney, entradas em Portugal com a 3ª Invasão Francesa.

1811 (7 MAR) -  As tropas de Ney, em retirada, saqueiam Tomar. Provável destruição do magnífico cadeiral do Coro do Convento de Cristo e das Ferrarias de S. Lourenço e do Prado.

1822 (23 OUT) - Primeira Câmara de Tomar eleita por  voto popular, no quadro da Constituição de 1822.

1823 (31 MAI) - A Vilafrancada de D. Miguel derruba a Câmara eleita.

1833 (14 MAI) - As tropas liberais entram em Tomar, substituindo de novo o Senado Municipal.

1834 (16 MAI) - Derrota  das tropas absolutistas na batalha da Asseiceira (concelho de Tomar) garante o poder dos liberais.

1834 - Extinção das Ordens Religiosas e venda dos respectivos bens. Em Tomar assinale-se a venda do Convento de cristo e da Quinta dos Sete Montes, ao futuro Marquês de Tomar, António da Costa Cabral, em 1837, por 5 000$00. O seu neto veio a pôr as ditas propriedades em hasta pública, tendo sido adquiridas pelo Estado, por 560 contos, corria o ano de 1936.

Criado o primeiro cemitério do Concelho de Tomar, no adro da Igreja de Nª Srª da Conceição das Olalhas.

1836 -    Criação da Fábrica de Papel do Prado, por reconversão das antigas Ferrarias do Prado. No entanto, o alvará que a autorizou já havia sido passado 64 anos antes, pelo punho do Marquês de Pombal.

1843 (14 MAI) - Proposta da criação do Distrito de Tomar, no âmbito da reorganização administrativa então em curso. A representação não surtiu qualquer efeito.

1843 (28 OUT) - Primeira visita de D. Maria II a Tomar. A Câmara solicita-lhe a elevação de Vila a Cidade.

1844 (13 FEV) - Alvará de D. Maria II elevando Tomar a Cidade.

1845 (4 SET) - Segunda visita de D. Maria II a Tomar.

1846 (20 MAI) - Início da revolta de Tomar, secundando a Patuleia anti-cabralista.

1857 (2 OUT) - Estabelecimento da relação entre as medidas e pesos tradicionais do Concelho de Tomar e os do sistema decimal.

1866 (25 SET) - Falha uma segunda tentativa de constituição do Distrito de Tomar.

1879 (2 FEV) - Surge o primeiro jornal de Tomar “A Emancipação”, dirigido por Angelina Vidal e Luís Augusto Pereira Campeão.

1881 (30 SET) - Extinto o Isento de Tomar, passando o seu Concelho para o Patriarcado de Lisboa.

1882 (8 MAR) - Inaugurada a Fábrica de Papel de Porto de Cavaleiros.

1883 (29 AGO) - Um grande incêndio destrói a Fábrica de Fiação de Tomar, apenas se salvando a Casa da Turbina e os depósitos de algodão em bruto. No entanto e passados 2 anos, já se encontrava reconstruída “à moderna” e dotada de moderno equipamento.

1884 (MAI) - Criada a Escola de Desenho Industrial Jácome Ratton.

1900 (9 DEZ) - Lançada a primeira pedra do edifício da Central Eléctrica de Tomar, nos terrenos do “Lagar de Pedro d’Évora e calhas”.

1912 - Começa em laboração a Fábrica de Moagens “A Portugália”, de Manuel Mendes Godinho, no local do antigo “Lagar d’El Rei”.

1913 (10 AGO) - Manuel Gomes Godinho compra os restantes Lagares e Moinhos da Ribeira da Vila, dando origem à formação do maior complexo industrial do Concelho de Tomar, hoje com significativo peso a nível nacional.

1918 (15 MAI) - Fundada a União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo por Garcês Teixeira, Vieira Guimarães, José Brak-Lami e Arruda Pereira, entre outros.

1922 (15 SET) - Abertura do Colégio das Missões, no Convento de Cristo.  

 

In “Roteiro Histórico -  Imagens de Tomar”

Coordenação de Carlos Veloso e Salete da Ponte

 

Outras datas

1772 - Fundação da Fábrica do Prado

1869 - Fundação do “Club Thomarense”, colectividade mais antiga de Tomar ainda em funcionamento na Corredoura

1874 – Fundação da Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina

1879 (2 Fev.) - Nasce a imprensa tomarense com a publicação do primeiro número do jornal republicano «A Emancipação», dirigido por Angelina Vidal e Luís Augusto Pereira Campeão.

1878 – Fundação da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais

1895 - 14-16 de Outubro   Realiza-se em Tomar a II Conferência Socialista, que aprova um programa partidário da autoria de Azedo Gneco.

Dezembro de 1900 – Começa a funcionar a Central Eléctrica de Tomar que traz a iluminação pública à Cidade.

1901 – Primeira sessão de cinema em Tomar, no extinto Teatro Nabantino.

1906 - 30 de Junho - Realiza-se em Tomar a Conferência Extraordinária do PSP (Partido Socialista).

1914 – Fundação do União de Tomar

1922 – Fundação do Corpo de Salvação Pública de Tomar (Bombeiros)

1928 - Inauguração do Ramal Ferroviário de Tomar

1931 – Fundação dos Colégios Nuno Álvares

1940 - Inauguração da estátua de D. Gualdim Pais na Praça da República

1943 – Fundação da Casa do Concelho de Tomar em Lisboa

1945 - Fundação do Agrupamento 44 do corpo Nacional de Escutas – Tomar          

1951 - Inauguração da Barragem do Castelo de Bode

1957 - Fundação da Adega Cooperativa de Tomar

1961 – Inauguração da Piscina Municipal Vasco Jacob

1967 – Inauguração do Hotel dos Templários

1973 - 1º Congresso Nacional da ANP (Associação Nacional Popular) em Tomar.

1977 – Fundação da Cooperativa de Habitação Económica Nabância

1979 - 1º espectáculo do Grupo de Teatro Fatias de Cá

1982 - Tomada de posse da 1ª Comissão Instaladora da Escola Superior de Tecnologia de Tomar (actual Instituto Politécnico de Tomar)

1983 - Convento de Cristo classificado património mundial pela UNESCO

1984 - Início das emissões piratas da Rádio Hertz, primeira estação de Tomar

Aceitamos e agradecemos sugestões para completar esta cronologia

 

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Colaboradores nesta secção: José-Gaio Dias (jgaio@iol.pt), Jornal 'O Templário