
A janela da casa do Capítulo é um dos pontos culminantes da arte Manuelina em
Portugal. De entrada a partir da Charola do Convento de Cristo, foi aqui que
se reuniram as cortes gerais convocadas por Filipe I de Portugal, obra de
Diogo d
e Arruda que foi iniciada em 1510. Esta dependência não constituía,
na época, a casa capitular, mas sim a sacristia da igreja. O acesso à actual
casa capitular faz-se pela janela do sul, actualmente transformada em porta.
Está instalado neste edifício o Museu da União dos Amigos dos Monumentos
da Ordem de Cristo, que inclui vasta colecção de objectos arqueológicos,
como esculturas, pinturas, uma espada quinhentista com guardas lavradas
(notável), um fragmento de tábua quinhentista representando instrumentos
de tortura, talvez proveniente de um dos retábulos da charola.
Quanto à janela propriamente dita, nela se vislumbram elementos
representativos do contacto ultramarino, sugestões vegetalistas, marítimas
e realistas e um evidente sentido épico.
Toda esta gigantesca composição, talvez a mais estupenda criação da
arquitectura de todas as épocas, assenta sobre uma figura barbada, quase
um atlante, esculpida rudemente na pedra, mas de grande vigor, dando a
ilusão de suster o conjunto. De entre as várias teorias para o aparecimento
desta figura, algumas indicam ser este personagem um auto-retrato do
arquitecto Diogo de Arruda.
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© Paulo Rodrigues - 2006 |